Juventude, juventudes[1]
Por Alexandre
Barbosa Pereira
25/04/12
As
juventudes apresentam elementos comuns e de diferenciação. Atentar para esses
aspectos pode ser crucial para discutir as políticas públicas voltadas para
esse segmento e, talvez o principal, problematizar as especificidades do papel
da instituição escolar no mundo atual
Discutir a juventude na
contemporaneidade leva-nos a tomar duas precauções importantes: entender que a
noção de juventude é uma construção social e cultural e, além disso, bastante
diversificada; e compreender que a noção de juventude não pode ser definida
isoladamente, mas a partir de suas múltiplas relações e contextos sociais.
Nesse sentido, pensar a ideia de juventude é pensar sobre condições de gênero,
raça, classe social, moradia e pertencimento religioso. E, o principal,
contextualizá-la historicamente, como integrante de uma geração específica que
se relaciona com outras gerações. Por isso, como já tem sido bastante reiterado
pelos especialistas, não é possível falar no jovem atual, mas nos diferentes
modos de vivenciar a juventude na contemporaneidade.
“A ‘juventude’ é apenas uma
palavra”, afirma Bourdieu, ao abordar a noção de juventude. Para ele, as
divisões entre as idades seriam arbitrárias: “Somos sempre o jovem ou o velho
de alguém”. Sendo assim, os cortes, em classes de idade ou em gerações, teriam
uma variação interna e seriam objeto de manipulação. Portanto, juventude e
velhice não seriam dados, mas construções sociais oriundas da luta entre os
jovens e os velhos. Dessa maneira, as relações entre idade biológica e social
seriam muito complexas. Pode-se apreender, portanto, que tal noção configuraria
um elemento que faz sentindo somente no contraste entre os mais novos e os mais
velhos.
Entretanto, para outros autores
estudiosos da juventude e de suas práticas, seria mais que uma palavra. Em
texto cujo título já apresenta um contraponto a Bourdieu – “A juventude é mais
que uma palavra” –, Mario Margulis e Marcelo Urresti propõem a superação de
considerações sobre a juventude como mera categorização por idade, com
características uniformes: “A condição histórico-cultural de juventude não se
oferece de igual forma para todos os integrantes da categoria estatística
jovem” (tradução minha). Para eles, a
discussão feita por Bourdieu leva à percepção da juventude como “mero signo”,
como “uma construção cultural desgarrada de outras condições”. Assim, a noção,
como definida por Bourdieu, é desvinculada de seus condicionantes históricos e
materiais.
Os dois autores reforçam a
necessidade de atentar para o modo como a condição de juventude manifesta-se de
forma desigual conforme outros fatores, como classe social e/ou gênero. Não se
constitui, portanto, um conceito unívoco. Contudo, ressaltam que assim como não
se deve considerar apenas os critérios biológicos de idade para definir
juventude, não se pode também levar em conta apenas os critérios sociais.
[1]Fuente:http://www.teoriaedebate.org.br/materias/sociedade/juventude-juventudes.
Revisado: 25/04/12.
